Sinopse

livro-bannerO Pé Diabético, principal causa de amputação do membro inferior (risco de 15 a 40 vezes maior), mais do que uma complicação do Diabetes, deve ser considerado como uma situação clínica bastante complexa, que pode acometer os pés e tornozelos de indivíduos portadores de Diabetes Mellitus; tem como principais fatores de risco, a neuropatiaperiférica e a limitação da mobilidade articular;  assim, pode reunir características clínicas variadas, tais como alterações da sensibilidade dos pés, presença de feridas complexas, deformidades, alterações da marcha,  infecções e amputações, entre outras. A abordagem deve ser especializada e deve contemplar um modelo de atenção integral (educação, qualificação do risco, investigação adequada, tratamento apropriado das feridas, cirurgia especializada, aparelhamento correto e reabilitação global), objetivando a prevenção e a restauração funcional da extremidade.

Dados epidemiológicos demonstram que o pé diabético é responsável  pela principal causa de internação do portador de diabetes. A Organização Mundial de Saúde  reconhece que a saúde pública se depara com um sério problema em relação ao diabetes. A previsão para o ano de 2025 é de mais de 350 milhões de portadores de diabetes. Destes, pelo menos 25% vão ter algum tipo de comprometimento significativo nos seus pés. Atualmente, estima-se que, mundialmente, ocorram duas amputações por minuto às custas do pé diabético, sendo que 85% destas são precedidas por úlceras.

A tendência atual, em virtude da abordagem e resultados mais eficientes, vem apontando para a necessidade da inserção de todos os pacientes portadores de diabetes em centros integrados por multiprofissionais capacitados no manejo especializado do pé diabético. Estatisticamente vale a pena ressaltar que 50% dos portadores de diabetes desconhecem que têm este diagnóstico. Portanto, é de suma  importância a busca desses pacientes, que  também desconhecem apresentar um pé de risco para a manutenção sadia da extremidade. Aqueles que já conhecem o seu diagnóstico, devem ser submetidos a exame clínico pormenorizado e categorizados em grupos de risco, onde então receberão proposta terapêutica e seguimento clínico individualizados.

Entre as feridas de difícil cicatrização, merecem destaque as úlceras diabéticas, as úlceras de pressão e as deiscências cirúrgicas. O manejo deve ser individualizado e realizado por profissionais capacitados para tal cenário.
Diferentes e inovadoras propostas de apoio à cicatrização têm sido reportadas, porém, deve-se estar atento à real relevância clínica e evidência científica de cada método.

As úlceras nos pés e as amputações dos membros inferiores são complicações muito graves e de alto custo para o paciente e para a sociedade, estando associadas freqüentemente à alta morbi – mortalidade e elevadas taxas de recorrência. As feridas complicadas requerem abordagem interdisciplinar, realizada por equipe treinada e familiarizada com a abordagem do pé diabético.

Em relação ao tratamento tópico, existem inúmeras propostas que variam desde antimicrobianos e cicatrizantes até o uso de fatores de crescimento e substitutos biológicos de pele. O importante é a equipe compreender os princípios de tratamento avançado de feridas, onde é necessário uma análise cuidadosa não só da lesão mas sim, do paciente como um todo. Assim é possível  oferecer agentes locais (“curativo primário”) que possam interagir de acordo com o que a ferida está “pedindo”, proporcionando então condições mais favoráveis para a otimização cicatricial.

Em síntese, um verdadeiro “Programa de Prevenção e Tratamento do Pé Diabético”, não se restringe à troca de curativos, ao corte adequado das unhas e à sugestão do uso de calçados, nem tão pouco é contemplado por opções terapêuticas isoladas e ditas milagrosas. Obrigatoriamente, deve ser um programa extremamente abrangente e complexo, e que necessite de equipe efetivamente treinada, integrada e literalmente comprometida com a saúde e qualidade de vida do indivíduo e da sociedade.